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domingo, 20 de abril de 2014




Surdocegueira     e     Deficiência Múltipla

A surdocegueira é uma terminologia adotada mundialmente para  se referir a pessoas que tem perdas visuais e auditivas em diferentes graus, podendo ser: surdocego total,  surdocego com surdez profunda associada com resíduo visual, surdocego com surdez moderada associada com resíduo visual, surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira e surdocego com perdas leves tanto auditivo quanto visual.
No Brasil a deficiência múltipla é considerada como uma associação de duas deficiência ou mais. A deficiência múltipla é uma condição que resulta de uma etiologia congênita ou adquirida, não se trata da somatória da deficiência.
Segundo Nielsen, é difícil para uma pessoa lidar com uma deficiência se seus recursos são insuficientes por outra deficiência. E que devemos pensar, no caso de uma pessoa cega com déficit intelectual, que é uma pessoa deficiente cuja cegueira está multiplicada pelo déficit de inteligência. A autora diz ainda que quanto maior for o número de deficiências, maior o risco da pessoa não conseguir fazer o uso de todas as habilidades que possui e, assim sendo a associação de diferentes problemas resultará em necessidades educacionais únicas.
Muitas pessoas com deficiência múltipla ou surdocegueira podem aprender a se comunicar por  meio de gestos, mas podem ter dificuldade para conseguir uma comunicação usando símbolos abstratos tais como: palavras faladas ou línguas de sinais (Rowland eSchweigert,  1989; & Stremel – Campbell, 1987). Eles geralmente apresentam dificuldade de interpretar a informação no que se refere ao conceito da correspondência um- para -um entre um, ou seja, um só arbitrário (uma palavra falada) ou movimento (um sinal de Libras) e a sua referência.
A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega não recebe as informações sobre o que está a sua volta de maneira fidedigna , ela precisa da mediação de comunicação para poder  receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca.
Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como: tato,  olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular.
Na deficiência múltipla não garantimos que todas as informações muitas vezes chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou  audição) como ponto de referencia, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida.
Nunes (2002) coloca que a dificuldade na comunicação cria limitações na interação com os outros e com o meio levando à pessoa a ter poucas experiências sociais
A interação Social e a Comunicação são aspectos fundamentais para o desenvolvimento da linguagem nas atividades do dia-a-dia com pessoas com surdocegueira e deficiências múltiplas. A comunicação é dividida em Receptiva e Expressiva, para favorecer a eficiência da transmissão e interpretação.
A comunicação receptiva  ocorre quando alguém recebe e processa a informação dada por meio de uma fonte e forma (escrita, fala, Libras e etc.). No entanto, requer que a pessoa que está recebendo a informação forme uma interpretação que seja equivalente com a mensagem de quem enviou tentou passar.
A comunicação expressiva requer um comunicador (pessoa que comunica) passe a informação para outra pessoa. Ela pode ser realizada por meio do uso de objetos, gestos, movimentos corporais , fala, escrita, figuras e muitas outras variações.
É importante lembrar que a participação da família junto à comunidade escolar é imprescindível, pois eles criarão oportunidades de vivencias e de experiências, favorecendo a expansão e o conhecimento do mundo, por meio de rotinas e de uma comunicação adequada.
É preciso desenvolver atividades de maneira multisensorial para garantir aproveitamento de todos os sentidos e que proporcione uma aprendizagem significativa com oportunidade de generalizar para outros ambientes e pessoas (atividade funcional).
 E para que ocorra aprendizagem é preciso proporcionar experiência em quantidade suficiente para poder aprender, pois são necessárias muitas repetições para manter a informação na memória e também para dar tempo da pessoa praticar. É preciso considerar o estilo de aprendizagem de cada um observando suas preferências e fortalezas e trabalhar em cima das habilidades que a pessoa tem.

Um grande e forte abraço!
                             
“ É preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.”   ( Paulo Freire )

Um comentário:

  1. Parabéns pelo informativo apresentado, pois nos oferece dados referentes dados diferenciando surdocegueira e DMU. Vemos que pessoas com essas necessidades precisam de ações que os incentivem observando suas potencialidades e respeitando suas limitações.
    Abraços!

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