Surdocegueira
e Deficiência Múltipla
A
surdocegueira é uma terminologia adotada mundialmente para se referir a pessoas que tem perdas visuais e
auditivas em diferentes graus, podendo ser: surdocego total, surdocego com surdez profunda associada com
resíduo visual, surdocego com surdez moderada associada com resíduo visual,
surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira e surdocego com perdas leves
tanto auditivo quanto visual.
No
Brasil a deficiência múltipla é considerada como uma associação de duas
deficiência ou mais. A deficiência múltipla é uma condição que resulta de uma
etiologia congênita ou adquirida, não se trata da somatória da deficiência.
Segundo
Nielsen, é difícil para uma pessoa lidar com uma deficiência se seus recursos
são insuficientes por outra deficiência. E que devemos pensar, no caso de uma
pessoa cega com déficit intelectual, que é uma pessoa deficiente cuja cegueira
está multiplicada pelo déficit de inteligência. A autora diz ainda que quanto
maior for o número de deficiências, maior o risco da pessoa não conseguir fazer
o uso de todas as habilidades que possui e, assim sendo a associação de
diferentes problemas resultará em necessidades educacionais únicas.
Muitas
pessoas com deficiência múltipla ou surdocegueira podem aprender a se comunicar
por meio de gestos, mas podem ter
dificuldade para conseguir uma comunicação usando símbolos abstratos tais como:
palavras faladas ou línguas de sinais (Rowland eSchweigert, 1989; & Stremel – Campbell, 1987). Eles
geralmente apresentam dificuldade de interpretar a informação no que se refere
ao conceito da correspondência um- para -um entre um, ou seja, um só arbitrário
(uma palavra falada) ou movimento (um sinal de Libras) e a sua referência.
A
pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega não recebe as
informações sobre o que está a sua volta de maneira fidedigna , ela precisa da
mediação de comunicação para poder receber,
interpretar e conhecer o que lhe cerca.
Seu
conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como:
tato, olfato, paladar, cinestésico,
proprioceptivo e vestibular.
Na
deficiência múltipla não garantimos que todas as informações muitas vezes
chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos
canais distantes (visão e ou audição)
como ponto de referencia, esses dois canais são responsáveis pela maioria do
conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida.
Nunes
(2002) coloca que a dificuldade na comunicação cria limitações na interação com
os outros e com o meio levando à pessoa a ter poucas experiências sociais
A
interação Social e a Comunicação são aspectos fundamentais para o
desenvolvimento da linguagem nas atividades do dia-a-dia com pessoas com
surdocegueira e deficiências múltiplas. A comunicação é dividida em Receptiva e
Expressiva, para favorecer a eficiência da transmissão e interpretação.
A
comunicação receptiva ocorre quando
alguém recebe e processa a informação dada por meio de uma fonte e forma
(escrita, fala, Libras e etc.). No entanto, requer que a pessoa que está
recebendo a informação forme uma interpretação que seja equivalente com a
mensagem de quem enviou tentou passar.
A
comunicação expressiva requer um comunicador (pessoa que comunica) passe a
informação para outra pessoa. Ela pode ser realizada por meio do uso de objetos,
gestos, movimentos corporais , fala, escrita, figuras e muitas outras
variações.
É
importante lembrar que a participação da família junto à comunidade escolar é
imprescindível, pois eles criarão oportunidades de vivencias e de experiências,
favorecendo a expansão e o conhecimento do mundo, por meio de rotinas e de uma
comunicação adequada.
É
preciso desenvolver atividades de maneira multisensorial para garantir
aproveitamento de todos os sentidos e que proporcione uma aprendizagem
significativa com oportunidade de generalizar para outros ambientes e pessoas
(atividade funcional).
E para que ocorra aprendizagem é preciso
proporcionar experiência em quantidade suficiente para poder aprender, pois são
necessárias muitas repetições para manter a informação na memória e também para
dar tempo da pessoa praticar. É preciso considerar o estilo de aprendizagem de
cada um observando suas preferências e fortalezas e trabalhar em cima das
habilidades que a pessoa tem.
Um
grande e forte abraço!
“
É preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que, num
dado momento, a tua fala seja a tua prática.”
( Paulo Freire )
Parabéns pelo informativo apresentado, pois nos oferece dados referentes dados diferenciando surdocegueira e DMU. Vemos que pessoas com essas necessidades precisam de ações que os incentivem observando suas potencialidades e respeitando suas limitações.
ResponderExcluirAbraços!