Educação Escolar Inclusiva para Pessoas
com Surdez
Ao
longo do tempo, a educação especial tem adotado diferentes abordagens para
atender às necessidades das pessoas com surdez. Desde quando se instaurou um
embate político e epistemológico entre gestualistas e oralistas. Historicamente
as concepções desenvolvidas sobre a educação de pessoas com surdez se
fundamentaram em três abordagens diferentes: a oralista, a comunicação total e
a abordagem por meio do bilinguismo.
Diante
dessas concepções torna-se urgente repensar a educação escolar dessas pessoas,
tirando o foco do confronto do uso desta ou daquela língua e buscar
redimensionar a discussão acerca do fracasso escolar. É preciso construir um
campo de comunicação e de interação amplos, possibilitando que a língua de
sinais e a língua portuguesa, tenham lugares de destaque em sua escolarização,
mas que não sejam o centro de todo o processo educacional.
A
Língua de Sinais é certamente o principal meio de comunicação. Contudo, o uso
da Língua de Sinais nas escolas comuns e especiais, por si só não resolveria o
problema. Seria necessário o domínio de outros saberes que lhes garantam viver,
produzir, tirar proveito dos bens existentes, no mundo que vivemos.
Nesse
sentido, é necessário fazer uma ação-reflexão-ação permanente a acerca deste
tema, visando à inclusão escolar, tendo em vista a sua capacidade de frequentar
e aprender em escolas comuns, contra o discurso da exclusão escolar e a favor
de novas práticas educacionais na escola comum.
As
práticas pedagógicas constituem o maior problema em sua escolarização. Torna-se
urgente, repensar essas práticas para que os alunos com surdez, não acreditem que
suas dificuldades para o domínio da leitura e da escrita são advindas dos
limites que a surdez lhes impõe, mas principalmente pelas metodologias adotadas
para ensiná-los.
Não
existe uma metodologia única, específica para a educação de surdos, mas são
necessárias adaptações curriculares para atender às especificidades, seja na
escola especial ou na regular. Os educadores devem considerar, além da
metodologia, as necessidades específicas dos alunos, com o objetivo de
favorecer sua adaptação e sua integração.
O
trabalho pedagógico com os alunos com surdez nas escolas comuns, deve ser
desenvolvido em um ambiente bilíngue, ou seja, em um espaço em que se utilize a
Língua de Sinais e a Língua Portuguesa. Um período adicional de horas diárias
de estudo é indicado para a execução do AEE. Nele destacam-se três momentos
didático-pedagógicos: Momento do AEE em Libras na escola comum, em que todos os
conhecimentos dos diferentes conteúdos curriculares, são explicados nessa
língua por um professor, preferencialmente surdo. Momento do AEE para o Ensino
de Libras na escola comum, no qual os alunos com surdez terão aulas de Libras,
favorecendo o conhecimento e a aquisição, principalmente de termos científicos.
Este trabalho é realizado pelo professor e ou instrutor de Libras
(preferencialmente surdo). Momento do AEE para o Ensino da Língua Portuguesa
acontece na sala de recursos multifuncionais e em horário diferente ao da sala
comum. O ensino é desenvolvido por um professor, preferencialmente, formado em
Língua Portuguesa que irá desenvolver a competência gramatical ou linguística,
bem como textual, para que sejam capazes de gerar sequencias linguísticas bem
formadas.
Vê-se,
portanto a urgência de deflagrar iniciativas que desconstruam os modelos
conservadores da escola comum, para gestar formas de fazer uma educação escolar
inclusiva pautada no reconhecimento e na valorização das diferenças. É
primordial valorizar as diferenças humanas e aprender com o diferente, não pela
diferença que a deficiência impõe, mas pela singularidade de sermos diferentes
enquanto condição humana. O respeito e o oferecimento do AEE para pessoa com
surdez é direito do aluno com surdez e como tal não deve ser questionado, pois
é a aceitação de sua diferença que assegurará a sua aprendizagem.
Referências:
*
A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escola, 2010.
* Atendimento Educacional Especializado –
Pessoa com Surdez, 2007.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirRealmente os modelos conservadores da educação ainda permeiam principalmente a questão da inclusão escolar. A valorização das potencialidades das pessoas com necessidades especiais devem serve levadas em consideração para que essas pessoas possam adquirir não somente o respeito, mas também que sejam vistos outros meios de essas pessoas conquistarem o conhecimento
ResponderExcluirAs pessoas com surdez além serem aptos à aquisição de conhecimentos, criticidade, curiosidade entre outros, devem ser respeitadas como pessoas como outra qualquer e não ser voltada ao mundo dos surdos, nem levar em consideração ao uso dessa ou daquela língua. O AEE PS deve ser voltado para essas pessoas como forma de auxílio para redução das barreiras que os impedem de adquirir conhecimentos, perpassando pelos três momentos didático-pedagógicos. (DAMÁZIO, 210).
Um abraço!
Parabéns pela postagem gostaria de ressaltar que pensar e construir uma prática pedagógica que assuma a abordagem bilíngue e se volte para o desenvolvimento das potencialidades das pessoas com surdez, na escola, é fazer com que essa instituição esteja preparada para compreender cada pessoa em suas potencialidades, singularidades e diferenças e em seus contextos de vida´.
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